Prefeitura quer a comunidade interagindo para transformar as praças da cidade

A arquiteta Elza Lira, contratada pela prefeitura de Maragogi para, entre outros, elaborar o novo Plano Diretor do município, traz novas maneiras de se pensar e de se fazer para implantar na urbanização da cidade. Para começar, Elza Lira trouxe a equipe da Urban Ideas, de São Paulo, para transformar as praças públicas de Maragogi. E o ponto de partida, a que servirá de experiência, e modelo, foi a Praça Nossa Senhora da Guia, da vila de Barra Grande.

A Urb-i é uma start-up de transformação urbana que propõe democratizar o urbanismo. Realizam projetos urbanos com um novo olhar para o espaço público e novas experiências das pessoas com as cidades. Provocam e envolvem a sociedade na criação de lugares melhores para a convivência de todos.

“É a primeira vez que Maragogi tem esse modelo participativo de se projetar algo pra cidade”, disse a arquiteta. “Estamos inovando, sem dúvida. Convidamos os alunos de duas escolas do próprio povoado para interagirem, desenhando no papel a maneira como enxergam o entorno das suas escolas. Mas esse foi apenas o primeiro passo.” Ela classifica o projeto de Urbanismo Tático.

Os alunos que participaram foram da 5ª série das escolas Antônio Verçosa Coelho e Esperidião Francisco Nogueira. Além de expressarem suas visões dos arredores, posteriormente receberam um caderninho para exporem suas visões urbanas das ruas que circundam a praça.

No segundo dia, botaram as ideias na prática. Receberam tinta para colorir a praça à maneira como haviam imaginado. Também foram instalados paletes e plantaram algumas mudas de árvores e rosas, utilizando materiais recicláveis, como pneus, em vez de jarros. “Por enquanto, tudo isso é provisório. Lá na frente, se der certo, será definitivo”, explicou Elza Lira.

Segundo a planta do projeto desenvolvido para a praça, a ideia é quase unir a Praça Nossa Senhora da Guia com uma outra pracinha dali perto, onde há uns bancos e uma tevê protegida por uma pequena casinha suspensa. E interditar a rua ao lado dessa pracinha, onde não há tanto fluxo de automóvel, e transformar essa área num espaço para as crianças brincarem na hora do recreio. A escola Esperidião não possui um pátio. E há outra rua do outro lado da pracinha.

“O próximo passo é ver como a dinâmica se desenvolve e se readapta, para, em breve, validar o que deu certo de forma definitiva”, finalizou a arquiteta. “A experiência de fazer junto com as crianças foi algo transformador, porque faz com elas sejam agentes multiplicadores da importância do espaço público.”